Pink Floyd

O ex-apaixonado

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Isso te deixa completamente abobalhado. Isso, esse negócio de estar apaixonado. É uma anestesia em tempo integral. Não tem tempo ruim, cara? Um ser nesse estado com duração imprevisível constroi uma bolha semi-transparente ao redor de si e do objeto de adoração, e vê/ouve/fala tudo meio distorcido. Ah, a vida é bela, quentinha, dormir de conchinha. Um blues, nesse momento, pode não fazer muito sentido, e passa a gostar até de músicas que antes achava cafona demais. Jura de pé junto que não mudou nadinha em relação a quando estava solteiro.

Um ex-apaixonado, depois que passa o luto, a desilusão e aquele apego sufocante, percebe de forma abrupta (e às vezes dolorosa), que em algum momento essa bolha se rompeu. Não dá para especificar em que ponto isso acontece, mas é tiro e queda. Nessa etapa, é fato interagir mais nas festas, ainda que não esteja à procura de ninguém. Aliás, quando não se está com outras intenções, é bem curioso: Dança-se livremente, sem medo de soar ridículo (e quase sempre se é). Faz amizade mais facilmente, pois percebe que o mundo é feito disso mesmo. Porque o apaixonado, coitado, acha que o amor é autossuficiente e os atores ao redor, coadjuvantes.

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