Banzado

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Eu devo gostar de música desde que nasci. Primeiro, foi violão, que não deu muito certo (não dá até hoje). Depois, teclado, onde me saio um pouquinho melhor. Meu forte mesmo sempre foi escrever: é onde me sinto absolutamente à vontade. De tanto escrever poesia, nasceram as primeiras letras. É lindo e emocionante vê-las tomando forma nas mais inusitadas composições de inúmeros parceiros Brasil (e mundo) afora. Só que eu sentia que faltava alguma coisa. Até o Banzado.

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Tapa na Cara

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Excluindo-se assédio ou provocação, não há nada mais íntimo que um tapa na cara.

Depois que o dedo toca a garganta, o inferno parece ser a única salvação. Depois de tudo, algumas vão e vulgarizam o batom vermelho. Não que os homens tenham direito a opinar sobre a cor com que as damas se pintam, mas se morre a surpresa da cor, vira efemeridade; transforma a faísca – essa que precede um incêndio – em mera brasa de fim de carvão.

A rotina exclui o encanto da conquista. Sem essa de uma conquista por dia, ninguém tem fôlego pra isso. Manter a respiração, nesses casos, é, como diz o cantor Carlos Posada, o exercício diário da paixão. Quem não respira, faz do peito a morada do vazio. Depois do dedo na garganta, não existem amenidades. A coisa mais íntima – tapa na cara – vira, de fato, a única que existe.

 

Publicado originalmente em Colesterol | 20/02/2014